Â鶹ÊÓƵ

Aluno de Educação Física é exemplo de superação

Publicada em 21/02/2025

Histórias de vida construídas com determinação, persistência e trabalho duro são ótimas de serem contadas e costumam produzir bons frutos que impactam na vida de muitas pessoas e não apenas do personagem principal.


Essa é a história de Athos Martins da Costa, o bacharel em Educação Física da Â鶹ÊÓƵ e atualmente estudante da licenciatura também em Educação Física que teve parte do antebraço esquerdo amputado por conta de um acidente de carro quando tinha sete anos de idade. Natural de Santa Bárbara, em Minas Gerais, Athos foi campeão brasileiro de Ciclismo de Pista Paralímpico em 2015, tendo participado da final do Campeonato Mundial de Ciclismo em Estrada na Eslovênia em 2014, além da ultramaratona Brasil Ride nos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018.


Athos é ciclista profissional e compete também de mountain bike, tanto em categorias específicas para atletas especiais quanto em categorias para ciclistas não amputados. Devido à deficiência, Athos precisou adaptar sua bicicleta, colocando as duas manetes do mesmo lado do guidão, que também recebe um apoio que o permite pedalar de pé.


A história do atleta começa a se transformar quando conheceu um outro atleta, de Belo Horizonte, que o apresentou à professora Iara Sousa Castro, coordenadora de projetos científicos relacionados ao desenvolvimento de órteses e próteses voltadas para atletas de alto rendimento desenvolvidos no Centro de Pesquisa em Design e Ergonomia da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).


Em 2015, participou também de um projeto de extensão, ainda em andamento, para o desenvolvimento de uma prótese específica adequada à sua deficiência, sob a coordenação da professora Iara. O Laboratório de Ensaios, Modelagem e Prototipagem (LEMP), também da Escola de Design, foi parceiro na empreitada. O professor Yrurá Garcia Júnior, do LEMP, foi o responsável pela usinagem de peças que compõem o kit que vai acoplado ao guidão da bicicleta, para o encaixe da outra peça afixada à prótese adaptada ao braço do ciclista.


O estudante da Â鶹ÊÓƵ trabalhou no desenvolvimento dessa prótese com a Escola de Design por cinco anos, período em que o atleta deu apoio ao projeto na coleta de dados e participou dos testes experimentais ao longo de todo o processo de desenvolvimento.


Segundo Athos, com a prótese pronta e adequada a ele, diversas tarefas diárias além da questão do ciclismo, tornaram-se mais fáceis de executar, facilitando a vida do atleta/estudante. Na utilização da bicicleta, a prótese propiciou mais estabilidade e equilíbrio, diminuindo o risco de quedas e minimizando as possíveis dores musculares oriundas de posturas penosas e de esforço físico exagerado.


O conjunto do equipamento desenvolvido para membros superiores, cujo registro de patente de utilidade já foi depositado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), visa melhorar a ergonomia do ciclista, proporcionando acoplar o braço amputado à bicicleta, ao mesmo tempo que ajusta a altura dos ombros, dando mais segurança, conforto e competitividade ao atleta, explicou a professora Iara.

Essa prótese transformou a vida de Athos, que explica que já chegou a competir com apenas um dos braços preso ao guidão, por falta de equipamento adequado à sua condição, o que já lhe custou várias quedas. Ele diz que as peças desenvolvidas na Escola de Design lhe ajudaram muito e devem ajudar também outros ciclistas que possuam uma condição idêntica ou similar à dele.


O projeto foi tão impactante, tanto na vida de Athos quanto pesquisadores que participaram da empreitada que o reconhecimento veio por meio do 14º Prêmio Brasileiro de Design, promovido pela ABEDESIGN - Associação Brasileira de Empresas de Design recebendo o Bronze, na categoria "Design de Futuro: Inovação" e Ouro, no "Voto Popular".


Além disso, a proposta do produto desenvolvido é de ser acessível, superando as barreiras de custo das próteses tradicionais, que dependem de componentes importados e caros.