"O professor é um produtor da pedagogia e não um reprodutor de conteúdos prontos"
Publicada em 02/04/2025
Na noite do dia 28 de março, o auditório da Biblioteca do Campus Dom Bosco recebeu o renomado professor universitário português António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa, doutor em Ciências da Educação e História Moderna e Contemporânea.
A palestra Formar professores, reforçar a profissão foi voltada a todos os docentes, técnicos e discentes, que lotaram o auditório. A noite foi repleta de importantes reflexões sobre a formação e a valorização dos educadores.
Assista à gravação da palestra, disponível na íntegra, na e os cortes no .
Nóvoa é referência mundial em pesquisas sobre história da educação, psicologia da educação, educação comparada e formação de professores. Além disso, tem uma vasta experiência internacional e já publicou diversas obras relacionadas à educação e ao futuro da escola. Atualmente, é professor emérito do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa do qual já foi reitor.
Formar professores, reforçar a profissão
Compondo a mesa de abertura junto ao conferencista do evento, estiveram presentes o reitor da Â鶹ÊÓƵ, professor Marcelo Pereira de Andrade, a pró-reitora de Ensino de Graduação (PROEN), Rejane Correa da Rocha, a professora e a representante da Â鶹ÊÓƵ na Rede Mineira de Formação de Professores e no Fórum das Licenciaturas, Mirian Gontijo, do Departamento de Letras, Artes e Cultura (DELAC). O professor idealizador do encontro e pró-reitor adjunto da PROEN, José Luiz de Oliveira, atuou como cerimonialista.
Em sua fala, o reitor Marcelo Andrade disse que esse é o momento da Â鶹ÊÓƵ se unir em prol das licenciaturas e dos professores da educação básica. “O ingresso na Rede Mineira é com o intuito de fortalecer os nossos cursos de licenciatura, que são muito bem avaliados. Temos um grande desafio que é melhorar a carreira dos docentes do nosso país e trabalhar na sua formação. Ser docente é mais do que ministrar aulas, e sim se envolver com os projetos de políticas educacionais, não só na escola, mas no município, no estado e na União. Nós precisamos de professores e professoras da educação básica à frente das discussões políticas. Não dá mais para hipotecar para que políticos façam isso. E o maior desafio que nós temos é lutar contra a barbaridade que ainda está presente. Precisamos humanizar as pessoas, e isso depende de um olhar para dentro, de se fazer uma auto reflexão crítica. A saída do mundo é pela união, na diversidade.”
Em seguida, o pesquisador português, iniciou a apresentação. Para Nóvoa, os professores devem alargar as possibilidades de futuro, abrir caminhos e mudar destinos. Mas para isso é preciso que tenham condições de afirmar a sua posição no plano profissional e público, com melhores condições de trabalho.
Para isso, ele afirma, “tem muitas coisas que precisamos fazer, mas tem uma que precisamos fazer nas universidades, que é formar bem os professores. É ter uma outra política de formação de professores e sermos capazes de, através dessa formação, projetarmos um reforço da profissão.”
A profissão de professor está em crise e faltam esses profissionais em todos os países do mundo, comenta Nóvoa, que apresentou os antigos e os novos problemas que envolvem a carreira docente, como o desprestígio, os baixos salários, as más condições das escolas, a violência, a burocracia, o papel das tecnologias, a intervenção dos pais e das universidades e especialistas.
Nóvoa diz também que é preciso aumentar o espaço dos professores, a sua autonomia, a sua capacidade de trabalho enquanto autores da profissão, e aumentar o seu espaço vital, dar-lhes reconhecimento, autoridade, prestígio, projeção e voz pública.
Ele traz três conceitos centrais para formação dos professores: cultura profissional colaborativa, conhecimento profissional e dimensão pública. E fecha sua fala com a ideia que é o elemento central da Rede Mineira, o Espaço Comum, ou seja um lugar de comunhão entre universidades e escolas, criando espaços de formação docente.
Fotos: Rodolfo Silva
Arte: Clarice Muscalu