Â鶹ÊÓƵ

Dia Mundial de Conscientização do Autismo Ampliar o conhecimento e reforçar a importância da inclusão.

Publicada em 02/04/2025

 

O dia 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2007, com o objetivo de levar informação à população e reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Em 2025 o tema da campanha  é “Informação gera empatia, empatia gera respeito“, com a hashtag #RESPECTRO nas redes sociais. 

De acordo com a psicóloga da Â鶹ÊÓƵ (Campus Centro Oeste Dona Lindu - Divinópolis), Mônica Beato: “São muitas as barreiras de acessibilidade enfrentadas por pessoas com TEA: físicas, sociais, cognitivas e comportamentais. Conscientizar sobre o autismo ajuda a combater o capacitismo, estigmas e mitos, promove a inclusão e a compreensão, e contribui para uma sociedade mais inclusiva e empática.”

O autismo é uma variação do funcionamento típico do cérebro, que se manifesta de maneira diferente em cada indivíduo. Os sintomas são principalmente déficits em funções de comunicação, sociabilidade e interação, e a presença de comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas. Eles podem estar presentes em maior ou menor intensidade. 

No Brasil, o autismo foi incluído pela primeira vez no censo demográfico de 2020 por determinação da Lei n. 13.861, de 18 de julho de 2019. Atualmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que haja dois milhões de brasileiros autistas, o que significa afirmar que 1% da população estaria no espectro, mas o país ainda não dispõe de números oficiais sobre o contingente real.

Indivíduos com TEA devem usufruir de seus direitos, que os garantem as devidas condições para conquistarem seus lugares na sociedade. Essa inclusão deve acontecer plenamente, em todos os aspectos da sua vida.

 

Estatuto da pessoa com deficiência e Ensino Superior


Instituído pela Lei, o estatuto é um marco legal para inclusão e garantia das pessoas com deficiência no Brasil. E como isso influencia no acesso, no ensino e na permanência desses estudantes nas universidades?


Essa Lei inclui o ensino superior garantindo, principalmente, flexibilizações diante das necessidades educacionais especiais aos alunos com qualquer tipo de deficiência. Ela obriga a instituição a eliminar barreiras físicas, pedagógicas e atitudinais, a capacitar professores e funcionários para lidar com a diversidade. 

Também fica garantido adaptações metodológicas de ensino e o atendimento preferencial à pessoa com deficiência nas dependências das Instituições de Ensino Superior.


Para a psicóloga da Â鶹ÊÓƵ, Mônica, algumas ações são facilitadoras para a permanência de pessoas com TEA na universidade. São elas: Estratégias de melhorias nos relacionamentos interpessoais com colegas e professores; Apoio da equipe multiprofissional para que haja melhoria na autoestima e autoconfiança em situações acadêmicas; Apoio para melhoria de compreensão de sinais sociais na comunicação com colegas e professores; Redução da ansiedade social e comportamentos de evitação, por exemplo na apresentação de trabalho); Incentivo para acesso a oportunidades de pesquisa e extensão; Flexibilização de estratégias de ensino, o que ocorre pela articulação entre SINAC e as coordenações de cursos.


Como funciona o atendimento dos alunos com TEA na Â鶹ÊÓƵ?

 

O Setor de Inclusão e Acessibilidade (SINAC) desempenha um papel essencial no atendimento aos estudantes que são público-alvo da educação especial. O objetivo do setor é promover ações que garantam a inclusão e a permanência de pessoas com diversidade funcional (pessoas com deficiência) no ensino superior. A equipe multidisciplinar do setor oferece suporte acadêmico e garante que todos tenham acesso igualitário à universidade.


Estudantes com TEA podem solicitar atenção às suas necessidades educacionais especiais pelo SIGAA, no módulo NEE. Estão disponível no site do SINAC, (Auxílio Inclusão - Discente de Apoio, Auxílio Tecnologias Assistivas para Estudantes com Diversidade Funcional/ Deficiência, Bolsa Â鶹ÊÓƵ de Inclusão e Acessibilidade) e Tutoriais Acessíveis para acessar o Módulo NEE (Necessidades Educacionais  Específicas) e como criar um email institucional

O curso de Psicologia trabalha junto ao SINAC, com uma equipe de abordagem com seis alunos coordenados pelo psicólogo Marcelo Cotta. 

De acordo com Marcelo, o discente deve entrar em contato com o SINAC por meio do Módulo NEE e informar a sua diferença funcional. Em seguida, alguém da equipe de abordagem entrará em contato e marcará uma entrevista para avaliação da vida acadêmica e do percurso do aluno até chegar na universidade. 

Depois é feita uma avaliação das demandas necessárias para que esse aluno tenha condições de aprender a maior quantidade de conteúdo possível, o que muitas vezes acarreta em modificações acadêmicas, didáticas e de infra estrutura, sem que haja prejuízo nem para o aluno e nem para o professor. “Assim, aos poucos vamos modificando a cultura da nossa universidade para que ela se torne um ambiente cada vez mais acolhedor, inclusivo e adequado para o ensino de todas as pessoas”, completa o psicólogo.

TEA

O autismo é uma condição de saúde caracterizada por déficit na comunicação social e comportamento. Não há só um, mas muitos subtipos do transtorno. Tão abrangente que se usa o termo “”, pelos vários níveis de suporte que necessitam — há desde pessoas com outros transtornos, doenças e condições associadas, como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas independentes, com vida comum, algumas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico.

Especialistas explicam que os primeiros sinais do autismo são observados, normalmente, no segundo ano de vida. Em algumas crianças, no entanto, é possível perceber alguns indícios no desenvolvimento já no primeiro ano de vida.

As manifestações clínicas podem se dar de diversas formas. Mas o comportamento é um aspecto fundamental. A descoberta, porém, pode ser tardia, acontecendo somente na fase adulta. Adultos com esse perfil podem ser altamente funcionais e com boa capacidade de se adaptar a diferentes situações, o que acaba dificultando a identificação precoce do transtorno. 

Para adultos com TEA, os sintomas podem ter um impacto variado em suas vidas. Eles podem ser altamente funcionais em muitas áreas, mas podem enfrentar desafios específicos em termos de interações sociais e comunicação. Com diagnóstico e apoio adequados, muitos podem aprender estratégias para melhorar suas habilidades de comunicação e adaptação social.

Alguns sinais podem indicar o autismo em adultos: Hipersensibilidade a texturas, sons e cheiros; Hiperfoco em determinados assuntos; Preferência por trabalhar sozinho do que em equipe; Apego a rotinas; Falta de habilidade social; Interpretação ao pé da letra; Desvio de olhar; Sinceridade exagerada; Dificuldade de expressar suas emoções.

O TEA é uma condição ampla, complexa e para a vida toda. Cada pessoa é única, e compreender seu funcionamento em cada fase da vida é fundamental para garantir qualidade de vida e a inclusão social das pessoas autistas.